Revista Quem Acontece

23/09/2019

Mega-robôs russos: avanço tecnológico ou ‘Frankenstein’ de sucata?

Fedor fez história como o primeiro robô enviado pela Rússia ao espaço – o problema é que ele não tinha muito o que fazer por lá
Fedor fez história como o primeiro robô enviado pela Rússia ao espaço – o problema é que ele não tinha muito o que fazer por lá EPA/BBC NEWS BRASIL

No meio científico, a Rússia é conhecida por se vangloriar de seus robôs – ao mesmo tempo em que tem uma relação ambivalente com eles.

O país enfrentou uma série de reveses públicos com seus artefatos tecnológicos, por exemplo com o robô Fedor, lançado ao espaço a bordo da aeronave Soyuz em agosto com muita publicidade e empolgação por parte da agência espacial russa Roscosmos.

Fedor de fato fez história: foi o primeiro robô a ser enviado ao espaço pela Rússia, mas a missão que começou bem enfrentou um obstáculo crucial na reta final. A tentativa de acoplar o robô à Estação Espacial Internacional (ISS, em inglês) teve de ser abortada por causa de um problema técnico.

Fazendo justiça a Fedor, ele não foi o culpado pelo imprevisto. Apesar de a imprensa estatal russa tê-lo apresentado como uma revolução tecnológica – e de outros relatos incorretos terem apontado o robô como o responsável por pilotar a Soyuz –, o artefato fazia poucas coisas além de falar.

O projetista do Fedor, Yevgeny Dudorov, explica que o robô não foi sequer idealizado para trabalhar no ambiente espacial. À imprensa especializada, Dudorov afirmou que suas pernas longas (Fedor tem 1,8 metro) não tinham utilidade em missões fora da Terra.

 

Aloysha foi apresentado como um robô capaz de fazer movimentos, mas na verdade era um homem vestido de robô
Aloysha foi apresentado como um robô capaz de fazer movimentos, mas na verdade era um homem vestido de robô Stanislav Krasilnikov / Getty Images Boris/BBC NEWS BRASIL

"Ele foi inventado, na verdade, para atuar na Terra, e como não é de forma alguma integrado à Estação Espacial Internacional, introduzimos uma série de restrições", diz Dudorov. "No que diz respeito à inteligência artificial, só sobrou a interação verbal (com o robô). Os cosmonautas conseguem fazer perguntas, e o robô as responde. Perguntas do tipo 'como você está? como se sente? O que você está fazendo aqui? Quem são seus inventores?'."

Os criadores de Fedor afirmam que ele não deve viajar mais ao espaço.

'Cem quilos de lixo de aço'

Antes de seu voo espacial, o Fedor estava dedicado a impressionar observadores com suas habilidades. A TV estatal mostrava-o dirigindo um carro, disparando armas e fazendo flexões, mas ele também foi alvo de críticas.

"Esse robô Fedor resume o regime de (Vladimir) Putin", afirmou pelo Twitter o líder oposicionista Alexei Navalny. "Os idiotas de relações públicas da Roscosmos tiveram essa ideia, e engenheiros foram forçados a enviar a órbita cem quilos de lixo de aço sem utilidade."

De fato há motivo para ceticismo, uma vez que a imprensa estata russa costuma exagerar os feitos científicos do país.

Boris e Igoryok

No ano passado, um robô chamado Boris apareceu na rede nacional de TV. Na ocasião, o robô anunciou que era bom em matemática, que queria aprender a compor música e que era capaz de dançar. O único problema é que Boris não parecia ter sensores externos e fazia movimentos estranhos e desnecessários enquanto dançava.

 

O robô Igoryok jamais foi visto fazendo qualquer coisa
O robô Igoryok jamais foi visto fazendo qualquer coisa Mikhail Tereshchenko / Getty Images/BBC NEWS BRASIL

 Depois veio à tona que Boris não era um artefato de inteligência artificial, mas sim um homem vestindo uma roupa de robô. Era, na verdade, uma fantasia de robô chamada Aloysha, produzida pela empresa Show Robots.

Antes de Boris, a TV russa também divulgava relatos positivos a respeito de outro robô, um grande artefato de aço chamado Igoryok, mas que jamais foi visto em movimento – ou fazendo qualquer outra coisa.

Para além das notícias intrigantes, há uma outra história em curso. Susanne Bieller, secretária-geral da Federação Internacional de Robótica, diz que a Rússia tem muitos motivos para otimismo nesse campo, mas também muito trabalho a fazer se quiser comercializar sua própria tecnologia robótica.

 

Roscosmos Fedor não vai mais viajar ao espaço
Roscosmos Fedor não vai mais viajar ao espaço BBC NEWS BRASIL

"Analisando o mercado de robótica, a Rússia ainda não é um grande agente consumidor. É apenas o 27º país do mundo nisso. É um ator importante, mas ainda tem muito progresso pela frente para colocar suas pesquisas no mercado", diz Bieller.

É um problema admitido por Alisa Koniukhovskaya, russa que integra a Federação Internacional de Robótica. Ela afirma que especialistas locais precisam mostrar aos russos um lado menos glamouroso e mais prático da robótica.

"Às vezes as pessoas pensam em robôs como algo que eles viram nos filmes, mas precisamos que as pessoas conheçam as verdadeiras oportunidades que os robôs oferecem na vida e em projetos de negócios", avalia. "O crucial é criar demanda dentro da Rússia e propiciar boas condições para ir ao exterior e exportar robôs."

Projetos decorativos cheios de cor

Certamente você já se perguntou como aplicar a policromia nos diferentes espaços da casa. Não se preocupe! Mostraremos algumas ideias para que você possa acertar.

22/09/2019

Especialistas alertam sobre riscos de algoritmos para prever hábitos

Algoritmos podem ser usados para prever comportamentos
Algoritmos podem ser usados para prever comportamentos Marcello Casal jr/Agência Brasil


Nos Estados Unidos, um cidadão entrou em um supermercado na cidade de Minneapolis para reclamar que sua filha adolescente estava recebendo propagandas para grávidas. Dias depois, o pai da garota se desculpou com o estabelecimento ao confirmar com a filha que ela realmente esperava um bebê.

Leia mais: França quer acessar algoritmos do Facebook e conter discurso de ódio

A história, revelada em reportagem do New York Times em 2012, foi retomada pelo professor da Ohio State Univerity Dennis Hirsch para ilustrar o poder de tecnologias de coleta e análise de dados (chamada em inglês de Big Data Analytics) utilizadas para prever comportamentos e aplicar essas inferências em diversos campos, do marketing à concessão de créditos ou acesso a serviços de saúde.

Leia mais: O algoritmo desenvolvido por brasileiros para tentar prever e evitar suicídios

O docente abordou o tema no 10º Seminário de Proteção à Privacidade e aos Dados Pessoais, evento organizado pelo Comitê Gestor da Internet no Brasil nesta semana em São Paulo. Segundo o docente, o caso exemplifica um dos riscos dessas técnicas ao considerar sentimentos, traços de personalidade e comportamentos como forma de persuadir pessoas a adquirem algum produto ou serviço.

Outro risco potencial, acrescentou, é a manipulação de indivíduos em processos políticos. Ele citou o escândalo da empresa Cambridge Analytica, que utilizou dados levantados no Facebook por um aplicativo para explorar emoções das pessoas em campanhas eleitorais, como na disputa presidencial dos Estados Unidos de 2016 e no referendo que avaliou a permanência ou não do Reino Unido na União Europeia.

Esses tipos de ferramentas examina grande quantidade de bases de dados, estabelece correlações entre elas e identifica padrões. Estes são tomados como base para prever comportamentos das pessoas, como se um consumidor tem maior ou menor propensão a ficar adimplente ou inadimplente em um serviço, como cartão de crédito.

Um problema potencial nesse tipo de operação é a discriminação. Esta pode ocorrer tanto pela finalidade do uso quanto pela forma como a tecnologia é desenhada. Ao traçar padrões e classificar pessoas e atitudes, um sistema pode definir parâmetros considerados adequados e desvalorizar quem não se enquadra neles, com risco de colocar nessa posição segmentos sociais, como no exemplo dos problemas do reconhecimento facial para negros.

Este tipo de tratamento pode ainda ser reforçado pelos registros utilizados para treinar o sistema. Hirsch citou como exemplo a empresa de comércio eletrônico Amazon. Ao desenvolver um algoritmo para avaliar currículos, a base empregada foi a dos próprios funcionários da companhia. Como na área de tecnologia há mais profissionais homens, o programa passou a utilizar como currículo desejável critérios que desvalorizavam mulheres.

Explicação e cuidados

O pesquisador e professor da Data Privacy BR Renato Leite Monteiro colocou como problema chave a opacidade dessas tecnologias e a falta de conhecimento sobre como elas funcionam. Diante disso, defendeu o que chamou de um direito à explicação. Este consistiria na garantia ao cidadão de ter informações inteligíveis sobre como o dado foi processado, de modo que possa compreender como uma decisão foi tomada sobre ele e de que maneira pode reagir a ela.

Ele lembrou que hoje o processamento de informações por algoritmos e sistemas inteligentes está em diversas áreas e os problemas nele podem afetar direitos em setores como saúde (notas para planos de saúde), moradia (financiamento habitacional), mercado financeiro (concessão de crédito), educação (acesso a escolas e cursos), emprego (análise para contratação), entre outros.

A diretora de políticas para transformação digital do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC), Miriam Wimmer, abordou esses riscos no caso de sistemas de inteligência artificial. Ela reforçou que também no caso destas tecnologias existem diversas pesquisas mostrando casos de discriminação.

Diante destes problemas, a gestora pública defendeu alguns princípios orientadores. O desenvolvimento dessas soluções deveria ser orientado por valores. Este processo deveria abarcar avaliações prévias do impacto e dos riscos. A coleta de dados deveria ser restrita ao mínimo possível nas fases de treinamento. E ao longo do ciclo desses produtos deveriam ser implementados mecanismos de monitoramento com participação dos atores impactados.

Dia Mundial Sem Carro: trânsito é o vilão da qualidade do ar

Dia Mundial Sem Carro é incentivo para diminuir a poluição do ar nas cidades
Dia Mundial Sem Carro é incentivo para diminuir a poluição do ar nas cidades Pixabay

O Dia Mundial Sem Carro acontece neste domingo (22) e tem como objetivo conscientizar sobre a relação do uso de veículo com a má qualidade do ar. A data foi criada em 1997 na França e é celebrada em diversos países, inclusive no Brasil. 

Os meios urbanos são responsáveis por cerca de 70% das emissões globais de CO2, segundo dados da ONU Habitat. De acordo com dados do Detran de São Paulo, em abril deste ano a capital paulista tem aproximadamente 9 milhões de veículos automotores, sendo 6,2 milhões automóveis. 

Leia também: Adaptação a mudanças climáticas deve custar trilhões, mas pode gerar 'lucro' ainda maior, indica análise

Apesar da imagem de uma chaminé de uma fábrica lançado fumaça na atmosfera ser algo mais impactante do que ver o escapamento de um motor em funcionamento, os carros contribuem muito para uma qualidade do ar ruim.

"Os carros são os principais responsáveis pela poluição nas grandes cidades, devido ao aumento da frota e a piora no trânsito", explica o gerente do departamento de apoio operacional da CETESB (Companhia Ambiental do Estado de São Paulo), Carlos Lacava.

Chaminés de fábricas parecem poluir mais, mas perdem a disputa para os escapamentos
Chaminés de fábricas parecem poluir mais, mas perdem a disputa para os escapamentos Pixabay

Os dados divulgado em 2017 pela SEEG (Sistema de Estimativas de Emissões de Gases de Efeito Estufa), que calcula as emissões brasileiras de gases causadores do aquecimento global, apontam que o transporte foi o principal emissor de poluentes do setor de energia (48%), seguido pelo consumo energético na indústria (15%) e pela geração de eletricidade (14%).

Leia mais: As plantas nativas que desafiaram a urbanização e surgem entre o concreto e o asfalto de São Paulo

"O atual padrão de mobilidade vigente nas cidades, centrado no uso do automóvel, produz efeitos negativos para sociedade, como: violência no trânsito, poluição do ar, elevados níveis de ruído, pressão sobre o uso do espaço urbano escasso e construção de espaços públicos hostis", afirma o coordenador da área de emissões do IEMA (Instituto de Energia e Meio Ambiente), David Tsai.

Para a professora do Instituto de Geociências da Unicamp e Coordenadora do LEVE (Laboratório de Estudos do Veículo Elétrico) Flávia Consoni, o Dia Mundial Sem Carro tem sua importância na conscientização da população. " Este é um momento para que as pessoas vivenciem mais a cidade, a paisagem urbana e possam fazer uso de outros meios de mobilidade, como andar a pé, de bicicleta, de patinete e de transporte público".

Quando se analisa a intensidade de emissões de gases do efeito estufa por passageiro e quilômetros percorrido, automóveis continuam com a maior parcela das emissões (65,8%), motocicletas com 35,6% e ônibus urbano, com 17%.  Isso ocorre porque os ônibus transportam um maior número de pessoas e suas emissões totais são divididas entre todos os ocupantes.

"O Dia Mundial Sem Carro é um ótimo laboratório, adequado para fazer experiência de um dia sem carro, medir emissões e trazer novas impressões e vivencias para as pessoas", diz professora da Unicamp.

Veja 7 dicas práticas para acertar a maquiagem para peles negras

Bases, pós e corretivos na tonalidade adequada para os tons de pele negra são difíceis de encontrar, o que muitas vezes compromete o resultado final da maquiagem. Encontrar produtos que conversem com o tom da pele e realcem a beleza natural é um desafio que a youtuber Marisa Lopes já enfrentou. A convite do Instituto Embelleze, a especialista fez um passo-a-passo de preparação da pele para quem tem dúvidas 

1. A escolha da base

Em função de influências externas, como a luz do sol ou a aplicação de protetores solares, o rosto tende a ter uma tonalidade abaixo ou acima do restante do corpo.

Por essa razão, a dica da Marisa para descobrir a tonalidade correta da base é realizar um teste aplicando um pouco do produto no maxilar e analisando se o produto se assemelha tanto ao tom do rosto quanto do pescoço, proporcionando assim uma harmonia e naturalidade para a maquiagem. 

A youtuber ainda ressalta a importância de se reconhecer o subtom da pele, pois bases com subtons rosados podem acinzentar a maquiagem e enfraquecer o resultado final

2. Preparação da pele 

Como toda preparação de maquiagem, antes da aplicação dos cosméticos, é importante limpar a pele e aplicar um hidrante. Dessa forma, a maquiagem tende a durar mais no rosto e a ganhar uma aparência mais profissional. Após a hidratação, aplicar um primer na zona T — que engloba a testa, o nariz e o queixo — e espalhar o produto do centro para fora do rosto

3. Aplicação da base

Com a pele preparada e o tom de base devidamente escolhido é o momento de aplicar o produto. Levando em conta que a pele negra tem uma tendência a ter manchas em tons diferentes, por conta de mais ou menos concentração de melanina em determinadas áreas, o ideal é optar por uma base de média a alta cobertura e aplicar de forma homogênea

4. Contornos e corretivos 

O corretivo, em um tom mais claro que a base e respeitando o subtom da pele, pode ser aplicado com uma esponjinha entre as sobrancelhas, abaixo das olheiras e no arco do cupido — iluminando as regiões do rosto. Para o contorno, aplicar um pó mais escuro ou um produto cremoso na área inferior às maçãs do rosto e na região da testa, rente ao cabelo. Optar por um pincel macio com a ponta reta e esfumar até conquistar um resultado satisfatório

5. Matificar

Selar a maquiagem faz com que ela dure, em boas condições, por mais tempo. Portanto, utilize um pó banana ou um pó translúcido para matificar toda a pele. Após a aplicação do produto, caso haja necessidade, retomar o pó escuro para evidenciar ainda mais o contorno

6. Para finalizar e dar cor

Aplicar o blush na região mais alta das maçãs de forma que a tonalidade se mescle com o contorno aplicado anteriormente. Recorrer a camadas generosas de máscara para cílios preta para os olhos e finalizar com um batom de preferência – fundos marrons, roxos e avermelhados tendem a harmonizar com o tom de pele negra

7. Para um efeito com brilho

Para quem deseja fugir um pouco da pele matte e prefere um efeito glow, a dica está em, após toda a preparação, recorrer a um iluminador dourado ou bronze na região das têmporas

Especialistas alertam sobre riscos de algoritmos para prever hábitos

Especialistas alertam sobre riscos de algoritmos para prever hábitos
Especialistas alertam sobre riscos de algoritmos para prever hábitos Pexels

Nos Estados Unidos, um cidadão entrou em um supermercado na cidade de Minneapolis para reclamar que sua filha adolescente estava recebendo propagandas para grávidas. Dias depois, o pai da garota se desculpou com o estabelecimento ao confirmar com a filha que ela realmente esperava um bebê.

A história, revelada em reportagem do New York Times em 2012, foi retomada pelo professor da Ohio State Univerity Dennis Hirsch para ilustrar o poder de tecnologias de coleta e análise de dados (chamada em inglês de Big Data Analytics) utilizadas para prever comportamentos e aplicar essas inferências em diversos campos, do marketing à concessão de créditos ou acesso a serviços de saúde.

Leia mais: Nove algoritmos que podem estar tomando decisões sobre sua vida — sem você saber

O docente abordou o tema no 10º Seminário de Proteção à Privacidade e aos Dados Pessoais, evento organizado pelo Comitê Gestor da Internet no Brasil nesta semana em São Paulo. Segundo o docente, o caso exemplifica um dos riscos dessas técnicas ao considerar sentimentos, traços de personalidade e comportamentos como forma de persuadir pessoas a adquirem algum produto ou serviço.

Outro risco potencial, acrescentou, é a manipulação de indivíduos em processos políticos. Ele citou o escândalo da empresa Cambridge Analytica, que utilizou dados levantados no Facebook por um aplicativo para explorar emoções das pessoas em campanhas eleitorais, como na disputa presidencial dos Estados Unidos de 2016 e no referendo que avaliou a permanência ou não do Reino Unido na União Europeia.

Veja também: Senado dos EUA questiona redes sociais sobre uso de algoritmos

Esses tipos de ferramentas examina grande quantidade de bases de dados, estabelece correlações entre elas e identifica padrões. Estes são tomados como base para prever comportamentos das pessoas, como se um consumidor tem maior ou menor propensão a ficar adimplente ou inadimplente em um serviço, como cartão de crédito.

Um problema potencial nesse tipo de operação é a discriminação. Esta pode ocorrer tanto pela finalidade do uso quanto pela forma como a tecnologia é desenhada. Ao traçar padrões e classificar pessoas e atitudes, um sistema pode definir parâmetros considerados adequados e desvalorizar quem não se enquadra neles, com risco de colocar nessa posição segmentos sociais, como no exemplo dos problemas do reconhecimento facial para negros.

Este tipo de tratamento pode ainda ser reforçado pelos registros utilizados para treinar o sistema. Hirsch citou como exemplo a empresa de comércio eletrônico Amazon. Ao desenvolver um algoritmo para avaliar currículos, a base empregada foi a dos próprios funcionários da companhia. Como na área de tecnologia há mais profissionais homens, o programa passou a utilizar como currículo desejável critérios que desvalorizavam mulheres.

Confira: O algoritmo desenvolvido por brasileiros para tentar prever e evitar suicídios

Explicação e cuidados

O pesquisador e professor da Data Privacy BR Renato Leite Monteiro colocou como problema chave a opacidade dessas tecnologias e a falta de conhecimento sobre como elas funcionam. Diante disso, defendeu o que chamou de um direito à explicação. Este consistiria na garantia ao cidadão de ter informações inteligíveis sobre como o dado foi processado, de modo que possa compreender como uma decisão foi tomada sobre ele e de que maneira pode reagir a ela.

Ele lembrou que hoje o processamento de informações por algoritmos e sistemas inteligentes está em diversas áreas e os problemas nele podem afetar direitos em setores como saúde (notas para planos de saúde), moradia (financiamento habitacional), mercado financeiro (concessão de crédito), educação (acesso a escolas e cursos), emprego (análise para contratação), entre outros.

A diretora de políticas para transformação digital do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC), Miriam Wimmer, abordou esses riscos no caso de sistemas de inteligência artificial. Ela reforçou que também no caso destas tecnologias existem diversas pesquisas mostrando casos de discriminação.

Mais: Conheça o algoritmo que pode acabar com as filas para sempre

Diante destes problemas, a gestora pública defendeu alguns princípios orientadores. O desenvolvimento dessas soluções deveria ser orientado por valores. Este processo deveria abarcar avaliações prévias do impacto e dos riscos. A coleta de dados deveria ser restrita ao mínimo possível nas fases de treinamento. E ao longo do ciclo desses produtos deveriam ser implementados mecanismos de monitoramento com participação dos atores impactados.

6 tipos de móveis que nunca saem de moda

O sofá Chesterfield, a cadeira Barcelona, a poltrona Wingback e outros mais. Todos eles são peças icônicas, que transcenderam as modas e tendências e que não podem faltar na decoração da sua casa.