07/12/2017

Jovens cruzam o País e gastam R$ 15 mil em cosplay para a Comic Con

Power Armor custou R$ 15 mil
Power Armor custou R$ 15 mil Divulgação

220 mil visitantes são aguardados para os quatro dias da Comic Con Experience 2017, que começa nesta qunta-feira (7) e segue até 10 de dezembro na São Paulo Expo, zona sul da capital.

Fãs de cultura geek passarão pelo local para ver personalidades como Will Smith e Alicia Vikander, saber em primeira mão detalhes de séries e filmes, além de comprar produtos variados de franquias do mundo nerd.

Para estar nessa que já é considerada a maior convenção do segmento na história, muitas pessoas não medem esforços. Para não perder nenhum dia da Comic Con, jovens cruzarão o País, investirão pesado em cosplays (caracterização de personagens famosos) e em ingressos que variam entre R$ 99,99 e R$ 6,999,99 (passe vip com acesso exclusivo aos bastidores).

Poucos, no entanto, devem investir mais que Eduardo Pimentel. Cada cosplay que ele desenvolve para a feira custa em média R$ 15 mil e leva até 800 horas para ser finalizado. As caracterizações são feitas com impressoras 3D e depois passam por acabamento com lixação e pintura feita pelo próprio Eduardo.

O resultado fica tão parecido com a ficção que ele se transformou em um profissional do ramo e fabrica cosplays para outras pessoas também. A ideia ainda não é a principal fonte de renda dele, mas já tem garantido que ele invista nas próprias caracterizações sem mexer (muito) no próprio bolso.

— Em 2016, paguei R$ 600 de excesso de bagagem para transportar o cosplay no avião. Nesse ano, vou evitar o estresse e viajar quase mil quilômetros de carro, porque a Power Armor (da franquia Fallout) é muito grande. Eu faço cosplay por amor à arte. Me especializei em peças grandes no cenário de impressão 3D aqui do Brasil. Virei referência por ajudar a divulgar a tecnologia em outras aplicações e principalmente no processo de finalização de peças e pintura.

A advogada Helchi Helis, de Franca, interior de São Paulo, enfrenta nove horas de viagem para vir à Comic Con desde a primeira edição. Famosa nos corredores da convenção, ela costuma usar um cosplay por dia e posar para várias fotos. As caracterizações são feitas pela mãe dela, o que barateia o custo. Mesmo assim, há roupas e acessórios inspirados em personagens que podem custar até R$ 500 cada. É o caso de uma versão feminina do Kiko, que ela desenvolveu.

"Cada cosplay feito em impressora 3D custa em média R$ 15 mil e leva até 800 horas para ser finalizado"

Neste ano, ela irá de Evil Queen (de Once Upon a Time), Galadriel de (O Senhor dos Anéis) e Cersei (de Game of Thrones).

— Eu escolho personagens que me agradem tanto visualmente quanto em relação à personalidade. Nem todos são bonzinhos, mas ainda assim gosto deles. Tem que me agradar nos dois sentidos, gostar do personagem em si, e da sua aparência (no caso da roupa mesmo).

As amigas Bruna Melo e Fernanda Andrade vão de Pernambuco para São Paulo desfilar seus cosplay exclusivos para cada dia de Comic Con.

Helchi Helis com o cosplay de Evil Queen
Helchi Helis com o cosplay de Evil Queen Divulgação

Fernanda diz que perdeu as contas de quanto já gastou. Mas que as quatro caracterizações ultrapassaram R$ 1,2 mil.

— Eu não tenho um valor exato de quanto eu investi dessa vez, porque a Rita de Power Rangers tem uma armadura. A gente sempre acabava comprando mais e mais materiais. Acredito que tenha passado de R$ 1,2 mil.

Bruna, por sua vez, começa a jornada rumo ao evento em Caruaru (PE), de onde ela viaja de ônibus até a capital do Estado, Recife. De lá, ela vai de avião até São Paulo com outros cinco amigos.

— Eu venho me programando para essa viagem desde o começo do ano. Eu e meus amigos viemos em grupo exatamente para diminuir gastos. Irei de Mulher Maravilha, Cheshire Cat (Alice no País das Maravilhas), Maeve (Westworld) e Saraphina (Animais Fantásticos e Onde Habitam).

Bruna e a avó, Tânia: parceiras de Comic Con
Bruna e a avó, Tânia: parceiras de Comic Con Divulgação

O webdisgner Peter Quini, de Marília, interior de São Paulo, não é um grande entusiasta dos cosplay, mas realiza uma tarefa para lá de complicada: garantir que todos os artistas que passam pela Artist Alley (espaço para que quadrinistas consagrados do Brasil e de outros países) autografem o pôster oficial da Comic Con.

Ele realiza isso desde a primeira edição e, nesse ano, tem um desafio ainda maior, já que serão 500 convidados neste espaço.

— E esse ano vou para minha quarta Comic Con. Agora, teremos quase 500 artistas e não sei se vão caber todas as assinaturas. Esse é o meu novo desafio, conseguir todas e que todas elas caibam dentro do pôster.

Para não ficar de fora da Comic Con, a estudante Brunna Luisa Peres virá acompanhada de Cuiabá (MT) da avó, de 66 anos. Ela diz que é comum ir com Tânia em eventos como Rock In Rio e outros shows pelo País e não é problema nenhum convencê-la.

— Minha avó sempre teve uma alma muito jovem. Já fomos pra show de rock, fizemos tatuagem, fomos ao Rock in Rio. Então não é muito difícil convencê-la. Ela adora estar no meio de coisas tão diferentes.

R7 - Jovem

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