30/01/2020
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Supertelescópio registra imagens mais detalhadas já vistas da superfície do Sol
Agora você pode contemplar o Sol em um nível de detalhe nunca visto antes.
O Telescópio Solar Daniel K Inouye (DKIST, na sigla em inglês), no Havaí, registrou imagens que mostram um trecho de 30 km da superfície solar.
Um tamanho impressionante quando comparado com a escala do astro, que tem cerca de 1,4 milhão de km de diâmetro e está localizado a 149 milhões de km da Terra.
As estruturas, semelhantes a células, são aproximadamente do tamanho do Estado americano do Texas — e mostram a convecção (processo de transmissão de calor) de massas de gás quente ou plasma.
Os núcleos brilhantes são onde este material solar está em ascensão; as linhas escuras ao redor são onde o plasma está esfriando e afundando.
O DKIST é um novo observatório posicionado no topo do Haleakala, um vulcão de 3 mil metros de altura na ilha havaiana de Maui.
O espelho principal dele tem 4 m, sendo considerado o maior do mundo para um telescópio solar.
O telescópio será usado para estudar o funcionamento do Sol. Os cientistas querem entender a dinâmica do comportamento do astro, na esperança de poderem prever melhor suas explosões de energia e outras variáveis — o que costuma ser chamado de "clima espacial".
Sabe-se que as gigantescas emissões de partículas carregadas e seus campos magnéticos danificam os satélites na Terra, prejudicam os astronautas, interferem nas comunicações de rádio e até interrompem as redes elétricas.
"Na Terra, podemos prever se vai chover com muita precisão em qualquer lugar do mundo, e com o clima espacial ainda não é assim", explica Matt Mountain, presidente da Associação de Universidades para Pesquisas Astronômicas, que administra o DKIST.
"Nossas previsões estão atrasadas 50 anos em relação ao clima terrestre, se não mais. O que precisamos é compreender a física subjacente ao clima espacial, e isso começa no Sol, que é o que o Telescópio Solar Inouye vai estudar nas próximas décadas."
O DKIST é um complemento magnífico para a sonda Solar Orbiter (SolO), que vai ser lançada na próxima semana a partir de Cabo Canaveral, na Flórida.
Esta sonda — uma parceria das agências espaciais europeia e americana — vai capturar as imagens mais de perto do Sol de todos os tempos, a apenas 42 milhões de quilômetros da superfície do astro.
Esta distância é mais próxima do Sol do que o planeta Mercúrio.
A SolO será capaz de capturar estruturas de pelo menos 70 km de diâmetro, mas detectará uma faixa muito maior de comprimentos de onda do que o DKIST e passará por mais níveis na atmosfera do Sol. A sonda também vai seguir uma rota que oferece uma visão sem precedentes das regiões polares.
"Temos planos conjuntos de observação do DKIST e da Solar Orbiter, o que será incrível", disse à BBC News Louise Harra, do Observatório Meteorológico Físico de Davos, na Suíça.
Youtuber viaja 2 mil quilômetros usando piloto automático da Tesla
O Youtuber norte-americano Ryan Trahan decidiu colocar o sistema de piloto automático do seu Tesla ao limite em uma viagem de quase 40 horas. Foram quase 2 mil quilômetros de Austin, no Texas, até Chicago, em Illinois.
Em um carro convencional, o tempo estimado pelo Google Maps para a rota seria de 17 horas, porém, se tratando de um carro elétrico o cálculo é bem diferente. Isso porque os locais de recarga bateria não estão em todo lugar e o tempo de espera é maior do que alguns minutos no posto de gasolina.
O Model 3, modelo usado por Ryan, tem uma autonomia de 320 quilômetros aproximadamente, o que exigiu muito mais paradas e mais tempo para recarga as baterias do veículo.
Durante toda a jornada, foram oito paradas que exigiram enormes desvios na estrada. Essa situação fez o carro entrar em modo de pouca energia e deixou o youtuber desesperado em alguns momentos.
Cada recarga das baterias leva aproximadamente 50 minutos, o que no total, aumentou quase 10 horas de tempo na viagem. Para compensar o tempo, o custo de energia foi zero, sim, de graça. Os gastos com o combustível em uma viagem convecional de carro é de quase de R$ 900.
O importante de toda a experiência na estrada foi o teste com o auto piloto da Tesla, que promete ser um dos mais avançados à disposição do consumidor.
Ryan diz que se sentiu como um passageiro, podendo olhar para a paisagem e interagir com os seus três amigos que toparam a jornada. Em alguns momentos, ele conseguiu até dormir um pouco.
O carro conta com diversas câmeras e sensores que permitem ele se "auto dirija" em linhas retas, como estradas, sempre respeitando os limites de velocidade e regras de trânsito. Com isso ele consegue ver a movimentação ao redor e tomar ações baseadas em cálculos.
Teoricamente, não é possível dormir ao volante de um Tesla, visto que seu sistema exige com o motorista toque no volante a cada oito segundo, mas, como o youtuber mostra no vídeo, em alguns momentos ele passa mais de um minuto sem aviso algum do sistema.
I'm driving across the USA, from New York City to Los Angeles. I'm going alone, it's something I've always wanted to do. also, I needed to get the Tesla to LA and didn't want to ship it. This thread will document the journey - this is mile 1. pic.twitter.com/FJ7pUT6Ik3
— Casey Neistat (@Casey) June 9, 2019
A conclusão do Ryan após as 36 horas de estrada foi dividida em algumas categorias:
Custo: 10/10. "Sem contar a comida o preço da viagem foi absolutamente zero", já que a energia foi de graça.
Conveniência: 4/10. "Nas primeiras horas tudo foi maravilhoso, era legal parar em cidade diferentes e comer algo. Mas, toda vez que precisamos recarregar tínhamos que desviar 15 a 25 quilômetros, e isso deixa muito cansativo".
A bateria também perdeu eficiência durante o percurso, exigindo mais paradas.
Auto piloto: 10/10. “Na estrada foi uma das melhores coisas que o ser humano já inventou. Eu podia descansar, olhar em volta, aproveitar, diferente de um carro convencional.”
Satisfação: 5/10. "Eu acho que me apaixonei com esse carro durante a viagem, mas nunca mais faria esse percurso. Foi muito cansativo e a única coisa que me deixou acordado foram meus amigos”.
Internautas associam marca de cerveja a coronavírus, indica Google
Em meio ao aumento no número de casos confirmados de coronavírus em todo mundo, muitas pessoas têm buscado o Google para obter mais informações a respeito do vírus descoberto recentemente na China. Até esta quarta-feira, o vírus já havia matado 170 pessoas e infectado mais de 7.700.
Nos últimos dez dias, o número de buscas pelo termo “coronavírus” teve um aumento repentino, atingido o pico de popularidade sobre o assunto, segundo dados do Google Trends.
Tira-dúvidas: respondemos as principais perguntas sobre o surto de coronavírus
Ao mesmo tempo, as buscas sobre associações entre a cerveja Corona, fabricada no México desde 1925, e o vírus também tiveram aumento exponencial. Segundo o Google Trends, procuras por “cerveja corona vírus” tiveram um pico porque, aparentemente, os internautas estão procurando relação entre as duas coisas.
Veja o gráfico abaixo:
Os dados revelam que, entre 18 e 26 de janeiro, as pesquisas pelo termo "coronavírus da cerveja" dispararam 3.233% em todo o mundo, enquanto as buscas por "vírus da cerveja Corona" aumentaram 2.300% e a procura pela expressão "vírus da cerveja" aumentaram 744%.
A verdade, no entanto, é que a única coisa que o vírus e a cerveja têm em comum é mesmo o nome. Corona vem do latim “coroña”, que significa “coroa”. O vírus descoberto na China, o nCoV, vem da família do coronavírus, identificados pela primeira vez em 1965 e chamados dessa forma por causa das pontas em sua superfície em formato de coroa. Enquanto, "La Cerveza Mas Fina" traz uma coroa desenhada em seu rótulo.
Derretimento da Antártida: uma viagem 'à geleira do fim do mundo', ameaçada pelo aquecimento global
As imagens são turvas no início.
Sedimentos passam pela câmera enquanto Icefin, um submarino robô amarelo operado remotamente, avança pelo gelo.
Então, as águas começam a ficar mais claras.
O Icefin está a 600 metros de profundidade e posicionado diante de uma das maiores geleiras do mundo.
De repente, uma sombra aparece por cima dele.
Trata-se de uma imagem única — um exemplo de como nosso mundo está mudando rapidamente.
O Icefin chegou ao ponto em que a água quente se encontra com o paredão de gelo na frente da poderosa geleira Thwaites — o local onde essa imensa massa de gelo começa a derreter.
Glaciologistas, especialistas que estudam o gelo, descrevem Thwaites como a geleira "mais importante" do mundo, a geleira "mais perigosa" e até a geleira "do juízo final".
Ela é enorme, aproximadamente do tamanho do Reino Unido.
A geleira Thwaites já responde por 4% da elevação do nível do mar no mundo a cada ano — um número enorme para uma única geleira — e os dados de satélite mostram que ela está derretendo cada vez mais rapidamente.
Essa imensa massa de gelo concentra água suficiente para elevar o nível do mar em mais de meio metro.
A Thwaites se localiza no chamado Manto de Gelo da Antártica Ocidental, uma vasta bacia de gelo que poderia aumentar o nível dos oceanos em três metros.
No entanto, até este ano, ninguém havia realizado uma pesquisa científica em larga escala sobre a geleira.
A equipe Icefin, juntamente com cerca de 40 outros cientistas, faz parte da International Thwaites Glacier Collaboration, um projeto de cinco anos envolvendo vários países e orçado em US$ 50 milhões. O objetivo é entender por que a geleira passa por um processo de transformação tão rápido.
Trata-se do maior e mais complexo programa de campo científico da história da Antártida.
Você pode se surpreender por saber tão pouco sobre uma geleira tão importante — foi assim que me senti quando fui convidado para cobrir o trabalho desta equipe.
Rapidamente, descobri o motivo ao tentar chegar lá.
A neve na pista de gelo atrasa meu voo da Nova Zelândia para McMurdo, a principal estação de pesquisa dos EUA na Antártica.
Este é o primeiro de toda uma série de atrasos e interrupções.
As equipes de cientistas demoram semanas apenas para chegarem aos campos de pesquisa.
Em um determinado momento, toda a pesquisa da temporada esteve prestes a ser cancelada porque as tempestades impediram todos os voos para a Antártida Ocidental a partir de McMurdo por 17 dias consecutivos.
A Antártida Ocidental é a parte mais turbulenta do continente com o clima mais turbulento do mundo.
E Thwaites é remota, mesmo para os padrões da Antártida, a mais de 1.600 km da estação de pesquisa mais próxima.
Apenas quatro pessoas já estiveram diante da geleira antes desta expedição.
Mas entender o que está acontecendo ali é essencial para que os cientistas sejam capazes de prever com precisão o futuro aumento do nível dos oceanos no mundo.
O gelo na Antártida detém 90% da água doce do mundo, e 80% desse gelo estão na parte oriental do continente.
O gelo na Antártida Oriental é espesso — mede mais de um quilômetro e meio em média —, mas está numa altitude mais elevada e só se arrasta lentamente até o mar.
Algumas delas existem há milhões de anos.
A Antártida Ocidental, no entanto, é muito diferente. É menor, mas ainda enorme, e é muito mais vulnerável a mudanças.
Ao contrário do leste, não está em uma altitude elevada. De fato, praticamente toda a sua superfície está muito abaixo do nível do mar. Se não fosse pelo gelo, seria um oceano profundo com algumas ilhas.
Estive na Antártida cinco semanas antes de finalmente embarcar na expedição que me levou à frente da geleira.
Acampados no gelo acima do ponto onde a geleira encontra a água do oceano, a tarefa dos cientistas é a mais ambiciosa de todas.
Eles querem perfurar quase 800 metros de gelo exatamente no ponto em que a geleira flutua.
Ninguém nunca fez isso em uma geleira tão grande e dinâmica.
Eles usarão o buraco para obter acesso à água do mar que derrete a geleira para descobrir de onde é e por que está atacando a geleira com tanta força.
Eles não têm muito tempo.
Cada atraso significa que restam apenas algumas semanas do verão antártico antes que o tempo comece a ficar realmente ruim.
Enquanto os membros da equipe de perfuração montam seus equipamentos, ajudo com uma pesquisa sísmica da superfície sob a geleira.
Kiya Riverman, glaciologista da Universidade de Oregon, nos Estados Unidos, perfura um buraco com uma grande broca espiral de aço inoxidável e espalha pequenos explosivos.
O resto de nós cava buracos no gelo para os geofones, os "ouvidos eletrônicos" que escutam o eco da explosão que ressoa da rocha através das camadas de água e gelo.
A razão pela qual os cientistas estão tão preocupados com a geleira Thwaites se deve ao declínio de seu leito submarino.
Isso significa que a geleira fica mais e mais espessa à medida que se caminha rumo a seu interior.
No seu ponto mais profundo, a base da geleira fica a mais de um quilômetro abaixo do nível do mar e há outro quilômetro de gelo por cima.
O que parece estar acontecendo é que a água quente e profunda do oceano está fluindo para a costa e para sob o gelo, derretendo a geleira.
À medida que a geleira diminui de tamanho, mais gelo fica exposto.
A título de comparação, seria como cortar fatias a partir da ponta de um pedaço triangular de queijo.
Cada pedaço retirado terá uma área de superfície maior — deixando ainda mais gelo exposto para a água derreter.
E esse não é o único efeito.
A gravidade faz com que o gelo fique 'plano'. À medida que a parte frontal da geleira derrete, o peso do vasto reservatório de gelo atrás dela a empurra para frente.
Portanto, quanto mais a geleira derrete, mais rapidamente o gelo flui nela.
"O medo é que esses processos apenas se acelerem", diz Riverman. "É um ciclo vicioso."
Fazer ciência dessa escala em um ambiente tão extremo não é apenas levar alguns cientistas para um local remoto.
Eles precisam de toneladas de equipamentos especializados e dezenas de milhares de litros de combustível, além de tendas e outros materiais e alimentos.
Acampei no gelo por um mês; alguns dos cientistas ficarão lá por muito mais tempo, dois meses ou mais.
Foi necessária mais de uma dezena de voos da frota de enormes aviões de carga Hercules do programa antártico dos EUA apenas para levar os cientistas e parte de seu equipamento ao principal local de teste do projeto, no meio da camada de gelo da Antártida Ocidental.
Aviões menores — um velho Dakota e dois Twin Otter — transportaram as pessoas e os suprimentos para os acampamentos, centenas de quilômetros abaixo da geleira em direção ao mar.
As distâncias são tão grandes que eles precisaram montar outro acampamento na metade do caminho para que os aviões pudessem reabastecer.
A contribuição do British Antarctic Survey, órgão responsável pelos assuntos relativos aos interesses do Reino Unido na Antártida, foi uma jornada épica por terra que trouxe centenas de toneladas de combustível e carga.
Dois navios cobertos por gelo atracaram ao lado de um penhasco no sopé da Península Antártica durante o último verão antártico.
Uma equipe de motoristas, em veículos de neve especializados, percorreu mais de mil quilômetros por uma das superfícies com clima mais inóspito do mundo.
Foi difícil, a velocidade máxima era de apenas 10 km/h.
Os cientistas do acampamento planejam usar água quente para perfurar seu buraco no gelo.
Eles precisam de 10 mil litros de água, o que significa derreter 10 toneladas de neve.
Todo mundo começa a trabalhar com pás, jogando neve em um recipiente de borracha do tamanho de uma pequena piscina.
"Será a jacuzzi mais ao sul do mundo", brinca Paul Anker, engenheiro de perfuração da British Antarctic Survey.
O princípio é simples: você aquece a água com um conjunto de caldeiras até um pouco abaixo do ponto de ebulição e depois a pulveriza no gelo, derretendo por onde ela passa.
Mas perfurar um buraco de 30 cm em quase 800 metros de gelo diante da geleira mais remota do mundo não é fácil.
Como o gelo está a cerca de -25°C, o buraco pode congelar e todo o processo depende dos caprichos do clima.
No início de janeiro, o recipiente está cheio e todo o equipamento, pronto. Contudo, recebemos um aviso de que mais uma tempestade está a caminho.
Tempestades antárticas podem ser muito intensas. Não é incomum ter ventos com força de furacão, bem como temperaturas muito baixas.
Este é relativamente leve para a Antártica, mas ainda envolve três dias de vento com rajadas de até 80 km/h. Sopram enormes correntes de neve no acampamento, cobrindo o equipamento, e todo o trabalho é interrompido.
Sentamos em uma barraca para jogar cartas e beber chá enquanto os cientistas discutem por que a geleira está recuando tão rapidamente.
Eles dizem que o que está acontecendo aqui se deve à complexa interação de clima, tempo e correntes oceânicas.
A chave para entender isso é a água do mar quente, que se origina do outro lado do mundo.
À medida que a corrente do Golfo esfria entre a Groenlândia e a Islândia, a água "afunda".
Essa água é salgada, o que a torna relativamente pesada, mas ainda está um grau ou dois acima do ponto de congelamento.
A água, então, é transportada por uma corrente oceânica profunda até o sul do Atlântico.
Aqui, ela se torna parte da Corrente Circumpolar Antártica, fluindo profundamente (530m) abaixo de uma camada de água muito mais fria.
A superfície da água na Antártida é fria, pouco acima de -2°C, o ponto de congelamento da água salgada.
A água circumpolar profunda e quente viaja por todo o continente, mas tem invadido cada vez mais a borda gelada da Antártida Ocidental.
É aqui que entra a mudança climática.
Os cientistas dizem que o Oceano Pacífico está esquentando e isso está mudando os padrões de vento na costa da Antártida Ocidental, fazendo com que as águas profundas e quentes subam sobre a plataforma continental.
"A água circumpolar profunda da Antártica é apenas alguns graus mais quente que a água acima dela — um grau ou dois acima de 0°C — mas é quente o suficiente para afetar essa geleira", diz David Holland, oceanógrafo da Universidade de Nova York (EUA) e um dos os cientistas principais no acampamento.
Ele deveria deixar a Antártida no final de dezembro, mas, por causa dos atrasos, a perfuração só começou no dia 7 de janeiro.
É quando um telefonema via satélite vem do quartel-geral do Programa Antártico dos Estados Unidos em McMurdo.
Os americanos nos dizem que não podemos adiar mais nossos voos para deixar o continente e devemos partir no avião de suprimentos que deve chegar ao acampamento em mais ou menos uma hora.
É muito frustrante ser forçado a sair antes que o buraco seja finalizado e instrumentos tenham sido instalados, especialmente considerando o tempo que levou para chegar aqui.
Nos despedimos e embarcamos no avião.
Olho para trás e vejo a roda no topo da broca girando, a mangueira preta rodando constantemente.
Eles estão quase na metade do caminho através do gelo.
O avião sobrevoa o acampamento e segue para o norte, em direção ao oceano.
Os cientistas me disseram que estávamos acampados no que é basicamente uma pequena baía de gelo protegida por uma ferradura de terreno elevado.
Enquanto voamos sobre a frente da geleira, me dou conta de quão frágil ela é.
Em alguns lugares, o grande manto de gelo se partiu completamente, dividindo-se em enormes icebergs que flutuam no caos antártico.
Em outros lugares, existem penhascos de gelo, alguns dos quais se elevam a quase um quilômetro do fundo do mar.
A frente da geleira tem quase 160 km de largura e está derretendo a um ritmo de até 3 km por ano.
A escala é impressionante e explica por que Thwaites já tem um papel tão importante da elevação do nível dos mares, mas fico chocado ao descobrir que há outro processo que poderia acelerar ainda mais seu derretimento.
A maioria das geleiras que desaguam no mar tem o que é conhecido como "bomba de gelo".
A água do mar é salgada e densa. A água derretida das geleiras é doce e, portanto, relativamente leve.
À medida que a geleira derrete, a água doce tende a fluir para cima, puxando a água do mar mais quente e pesada para trás dela.
Quando a água do mar está fria, esse processo é muito lento, a bomba de gelo geralmente derrete algumas dezenas de centímetros por ano — facilmente equilibrada pelo novo gelo criado pela queda de neve.
Mas a água quente transforma o processo, de acordo com os cientistas.
Indícios de outras geleiras mostram que, se você aumentar a quantidade de água quente que chega à geleira, a bomba de gelo funciona muito mais rapidamente.
"Ela pode 'incendiar' geleiras", diz Holland, "aumentando as taxas de derretimento em até cem vezes".
O pequeno avião nos leva ao acampamento no meio do manto de gelo da Antártida Ocidental, mas o mau tempo acarreta mais atrasos e demoramos nove dias para voltar à estação de McMurdo.
Outros cientistas se juntam a nós.
Foi uma temporada de muito sucesso.
Os cientistas confirmaram que a água quente circumpolar profunda está ficando sob a geleira e coletaram enormes quantidades de dados.
Icefin, o submarino robô, conseguiu fazer cinco missões, fazendo várias medições na água sob a geleira e gravando algumas imagens extraordinárias.
Levará anos para processar todas as informações que a equipe coletou e incorporar as descobertas aos modelos usados para projetar futura elevação do nível do mar.
A Thwaites não desaparecerá da noite para o dia. Os cientistas dizem que isso levará décadas, possivelmente mais de um século.
Mas não devemos nos tranquilizar com isso.
A elevação de um metro no nível do mar pode não parecer muito, principalmente quando levamos em conta que, em alguns lugares, a maré pode subir e descer três ou quatro metros por dia.
Mas o nível do mar tem um enorme efeito sobre as tempestades, diz o professor David Vaughan, diretor de ciência do British Antarctic Survey.
Para Londres, por exemplo, um aumento de 50 cm no nível do mar significaria que uma tempestade super intensa que acontece a cada mil anos passaria a acontecer a cada 100 anos.
Já uma elevação de 1 metro encurtaria ainda mais esse prazo, para uma vez a cada década.
Outras cidades litorâneas, como Rio de Janeiro, Nova York e Hong Kong, também seriam afetadas. No caso brasileiro, segundo dados da Nasa, a agência espacial americana, o mar do Rio de Janeiro aumentou aproximadamente 3 mm por ano até 2015.
"Não devemos nos surpreender", diz Vaughan, enquanto nos preparamos para embarcar no avião que nos levará de volta à Nova Zelândia e depois para casa.
Níveis crescentes de dióxido de carbono estão injetando muito mais calor na atmosfera e nos oceanos.
Calor é energia, e energia impulsiona as correntes climáticas e oceânicas.
O aumento dessa quantidade de energia, diz ele, inevitavelmente provoca mudança nos grandes processos globais.
"Eles já acontecem no Ártico", lamenta Vaughan. "O que estamos vendo aqui na Antártida é apenas outro grande sistema respondendo à sua maneira."
Dois satélites desativados estão em rota de colisão no espaço
Dois satélites desativados, um lançado em 1983 e o outro em 1967, entraram em rota de colisão esta semana.
O serviço de monitoramento de detritos espaciais LeoLabs publicou no twitter que a colisão está prevista para acontecer às 20h30 (horário de Brasília) desta quarta-feira (29) a uma altitude de 900 quilômetros da Terra, sobre os EUA.
2/ On Jan 29 at 23:39:35 UTC, these two objects will pass close by one another at a relative velocity of 14.7 km/s (900km directly above Pittsburgh, PA). Our latest metrics on the event show a predicted miss distance of between 15-30 meters. pic.twitter.com/Hlb1KeQ50U
— LeoLabs, Inc. (@LeoLabs_Space) January 27, 2020
A distância entre os satélites é de 15 a 30 metros e a chance de colisão entre eles é de apenas 1%. Os cientistas não podem fazer nada para evitar o choque, já que os controles de ambos os satélites estão desativados há muito tempo.
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"É um encontro muito, muito próximo. Eu diria que é uma das colisões possíveis mais perigosas que vemos em muito tempo", diz Alice Gormana, arqueóloga espacial, à revista ScienceAlert.
O medo dos pesquisadores é que a colisão produza uma nuvem de detritos espaciais que poderiam atingir outros satélites no futuro e causar danos.
"Se não descobrirmos como nos livrar de alguns desses detritos, esse tipo de choque tornará mais difícil o lançamento de novos satélites e realização de viagens para o espaço", alerta Alice.
Os satélites têm tamanhos e massa muito distintos. O IRAS, lançado em 1983, tem mais de uma tonelada e ocupa aproximadamente 10 metros cúbicos. O outro, GGSE-4, foi lançado em 1967, e pesa apenas quatro quilos.
*Estagiário R7, sob supervisão de Pablo Marques
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Contaminação por coronavírus em voo é menor nas janelas, diz estudo
Pesquisadores da Universidade de Emory, em Atlanta, nos EUA, apontam que a melhor chance de evitar doenças contagiosas, como o coronavírus, durante voo de avião é sentar na janela.
O estudo analisou voos com duração de 3horas até 5 horas e mostra que pessoas que sentam próximas a janela quase não saem de seus assentos. Entre aqueles que escolhem sentar no meio ou no corredor, 38% levantam ao menos uma vez durante a viagem.
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Segundo a Organização Mundial da Saúde, pessoas a duas fileiras de distância não estariam na área de risco para doenças contagiosas, porém, o estudo é o primeiro a calcular que a movimentação dentro do avião diminui essa área para um metro.
"Suponha que você esteja sentado na cadeira do meio e eu me levantei para ir ao banheiro. Nós vamos entram em contato, e, se eu estiver doente, eu poderia transmitirá para você", disse Howard Heiss, autor do estudo, à revista National Geographic
Os números da pesquisa mostram que quem viaja na janela têm, em média, 12 contatos com outros passageiros durante a viagem. Porém, quem viaja nos demais assento tem 64 contatos com as demais pessoas do voo.
O estudo também dá outras orientações para evitar o contágio, como lavar as mãos regularmente, usa de álcool gel após tocar superfícies e evitar contato físico.
"Todo a precaução é útil. Com gripes normais, nós temos vacinas e alguns antivirais, mas contra o coronavírus ainda não temos nada", afirma Heiss.
Ainda não existem estudos precisos sobre como a transmissão do coronavírus acontece, mas, em declaração do ministro da saúde Ma Xiaowei, o período de incubação é de 2 a 14 dias, uma janela grande para transmitir o vírus sem saber que está contaminado.
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Setor de micromobilidade encara obstáculos no Brasil
O modelo de negócios do jovem setor de micromobilidade urbana foi colocado em xeque no Brasil neste mês, depois que duas grandes operadoras anunciaram o enxugamento de suas estruturas, diante dos elevados custos de manutenção no país, segundo especialistas.
Depois da norte-americana Lime ter anunciado no início do mês encerramento de suas operações no país e em outras cinco cidades da América Latina, cerca de seis meses após sua chegada no mercado doméstico, a Grow divulgou encerramento de seu serviço de patinetes elétricos compartilhados em 14 cidades do país, além da retirada temporária de suas bicicletas das ruas para uma verificação de condições da frota.
"Acredito que isso é fruto do modelo de gestão. A expansão (das empresas) foi muito ampla e muito rápida, sem a validaçãodo modelo antes no país", afirmou Cyro Gazola, vice-presidentedo segmento de bicicletas da Abraciclo, associação que reúne fabricantes de veículos de duas rodas.
"Esse modelo de startup começa e seis meses depois tem que alcançar as estrelas, e o Brasil é um país complexo, um país onde não é fácil de se fazer essa gestão em várias frentes."
Gazola também indicou que os altos custos de manutenção prejudicaram o setor, principalmente no caso das empresas que operam veículos sem a necessidade de estações, permitindo que o usuário deixe-os em qualquer lugar dentro da área de atuação daempresa, como a Lime e a Grow.
"A Grow criou um modelo com valor agregado muito acessível, porém foi vendo na prática que o custo de manutenção e as taxasde roubo foram altíssimas", disse.
Na semana passada, a Polícia Civil de São Paulo realizou a apreensão de seis patinetes da Grow furtados por ex-funcionários da empresa, que colheu as informações em sindicância interna antes de repassá-las para as autoridades.
A Grow informou que o vandalismo é um de seus principais desafios e "segue em diálogo com o poder público para alinhar estratégias que ajudem a minimizar os efeitos do mau uso dos equipamentos". A empresa também disse que promove estudos para aprimorar cada vez mais seus equipamentos.
A Lime, que operava em 33 países, incluindo nos Estados Unidos, antes de sua reestruturação, mencionou apenas que espera "poder retornar a operação (no Brasil) em uma hora mais oportuna".
Porém, o setor de micromobilidade também tem mostrado avanços em outras frentes, como no caso das operadoras que utilizam o modelo de estações para entrega e retirada de bicicletas.
A Tembici, fundada em 2010 e operando também na Argentina e Chile, fechou 2019 com crescimento de mais de 50% na receita no Brasil, disse o presidente-executivo, Tomás Martins, sem revelar números exatos.
"Não vejo o setor como um todo em risco. Os números do ano passado mostram uma tendência de crescimento muito grande para o segmento", afirmou, acrescentando que as bicicletas da empresa já realizaram mais de 30 milhões de viagens no Brasil, sendo 20 milhões apenas no ano passado.
A frota para aluguel da Tembici no Brasil é de 8.300 bicicletas e a empresa registrou um aumento de 106% no número de viagens realizadas em 2019 no país. "Nos últimos dois a três anos a gente tem visto uma tendência muito forte de adesão a esses novos modais de transporte, com as bicicletas passando pela transição do uso focado no lazer para a mobilidade", disse Martins.
Para Gazola, da Abraciclo, o modelo com estações da Tembici está evoluindo há vários anos, "capturando o aprendizado e fortalecendo o modelo de negócio". Ele também destacou a importância da infraestrutura de mobilidade do país, afirmando que evoluiu nos últimos anos, mas ainda há muito que precisa ser feito.
"O crescimento do setor vai depender da contínua expansão da estrutura cicloviária do Brasil, sejam ciclovias, ciclofaixas, ciclorotas e bicicletários por todo o país", disse Gazola.
Na última sexta-feira, a Prefeitura de São Paulo, que já havia divulgado o novo plano cicloviário da cidade em dezembro, autorizou a abertura da licitação para empresas interessadas em implantar e operar o programa Ciclofaixa de Lazer, que envolve a utilização de vias como ciclofaixas aos domingos e feriados e havia sido suspenso em agosto de 2019.
Enquanto isso, outras empresas tentam a sorte no mercado nacional. A Uber em dezembro começou a operar patinetes elétricos no país, implementando o serviço em Santos(SP), com planos de expansão para São Paulo.
A cidade de São Paulo, em regulamento publicado no ano passado, exige o credenciamento dos operadores de aluguel de patinete elétrico. A Uber, que afirmou já ter realizado investimentos significativos para iniciar a operação, esperava o credenciamento para operar desde setembro. Procurada, a prefeitura de São Paulo informou que deferiu o pedido de credenciamento da empresa na última sexta-feira.
A Uber informou que as preparações para o início das operações estão em estágio avançado, mas a empresa ainda não possui uma data exata para o lançamento na capital paulista.
Venda de iPhones tem resultado acima do esperado no trimestre
A Apple divulgou nesta terça-feira vendas e lucro trimestrais acima do esperado por Wall Street, com crescimento nas vendas de iPhone pela primeira vez em um ano e demanda forte por acessórios como fones de ouvido sem fio.
Porém, os negócios da empresa com serviços que incluem streaming de TV ficaram aquém do esperado pelo mercado, apesar de executivos da empresa terem definido nova meta de 600 milhões de assinantes até o final deste ano.
A Apple teve receita de 91,8 bilhões de dólares para o trimestre encerrado em 28 de dezembro, ante estimativas de analistas de 88,5 bilhões, em média, segundo dados da Refinitiv.
A companhia previu receita de 63 bilhões a 67 bilhões de dólares para o trimestre que se encerra em março, acima dos 62,4 bilhões esperados por analistas, mostrando que acredita que seus produtos continuarão com forte ritmo de vendas em um período tradicionalmente fraco para o varejo.
O presidente-executivo da Apple, Tim Cook, afirmou à Reuters que a companhia fez a previsão mais ampla que o normal por causa da incerteza gerada pelo surto de coronavírus na China, onde estão muitos dos fornecedores da companhia. Cook afirmou que executivos da Apple planejam discutir detalhes sobre como o vírus vai afetar a cadeia de suprimentos da empresa durante uma teleconferência com investidores.
As ações da Apple subiram cerca de 3% após o encerramento regular dos negócios.
As ações subiram apesar da receita com serviços da empresa, de 12,7 bilhões de dólares no trimestre, ter ficado abaixo dos 13 bilhões esperados por analistas. O faturamento, porém, foi maior que os 10,9 bilhões de dólares obtidos um ano antes.
A companhia afirmou que tem 480 milhões de assinantes de seus serviços, ante 360 milhões no mesmo período do ano anterior. A base instalada de equipamentos da empresa saiu de 1,4 bilhão para mais de 1,5 bilhão.
Cook afirmou que a Apple espera superar a meta de 500 milhões de assinantes em 2020 durante o trimestre atual. O executivo afirmou que a empresa estabeleceu nova meta de 600 milhões de assinantes até o final deste ano.
As vendas de iPhone somaram 55,96 bilhões de dólares, ante estimativas de analistas de 51,6 bilhões e cerca de 52 bilhões no mesmo período de 2018. Cook disse que o iPhone 11 e iPhone 11 Pro puxaram o crescimento das vendas do celular da companhia.
A companhia teve lucro por ação de 4,99 dólares, comparado com estimativas de analistas de 4,55 dólares.
App para iPhone grava com mais de uma câmera ao mesmo tempo
Apesar dos novos smartphones terem várias câmeras, normalmente só conseguimos usar uma por vez. Isso pode mudar com o aplicativo DoubleTake, lançado na terça-feira (28).
O aplicativo permite a gravação de duas câmeras simultaneamente. O vídeo gerado ainda pode ser editado pelo próprio celular ou ser exportado como arquivos para edição em outros programas.
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Uma das opções permite colocar as duas imagens no mesmo vídeo, o chamado split screen, ou alternando entre os dois.
No caso do iPhone 11, são quatro opções de lentes que podem ser escolhidas: uma grande angular, uma angular, uma telefoto (com zoom maior) ou a câmera frontal.
Além disso, o aplicativo ainda oferece a opção de ajustar a quantidade de frames e a qualidade do vídeo.
O aplicativo permite, por exemplo, filmar um detalhe e também capturar a imagem mais aberta, ou a reação da pessoa que está gravando a imagem. Ou seja, é possível capturar a vista e a pessoa que está vendo.
A Filmic, desenvolvedora do aplicativo, já tem uma versão paga que permite acesso a uma câmera mais completa do que a nativa do iPhone,mas promete que esse recurso será de graça.
O aplicativo está disponível apenas para iPhone e pode ser baixado na Apple Store para o iOS 13, disponível para os modelos: Phone 11 Pro Max, 11 Pro, 11, Xs Max, Xs e Xr.
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